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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Intervenção com famílias multiproblemáticas através da metodologia Photovoice


Intervenção com famílias multiproblemáticas através da metodologia Photovoice
A metodologia Photovoice surge em 1994 com os trabalhos realizados de Carolina Wang (Universidade de Michigan) e Mary Ann Burris (Universidade de Londres), no âmbito de estudos na área da promoção e educação para a saúde. Nesta metodologia está inerente um método participativo que utiliza a fotografia e a voz como um meio para aceder ao “mundo dos outros” (Wang, 1999, cit. por Carvalhais, 2010, p.36).
Como tal, esta metodologia poderá ser utilizada em diversos contextos, contudo podemos distingui-la por ser um método de intervenção social muito atrativo. Este emprega a fotografia e a voz como um instrumento de empowerment, uma vez que promove a participação e o exercício da cidadania, ainda mais se for utilizado com populações em contextos mais desfavorecidos.
A utilização desta metodologia revela como objetivo principal a reflexão dos indivíduos, através das suas próprias experiências, quer sejam elas familiares ou comunitárias, importa é que se promova o diálogo crítico e o conhecimento de aspetos importantes das suas vidas (Photovoice, 2009).
Enquanto metodologia, no âmbito da intervenção com famílias multiproblemáticas, enquadra-se em Lisbon Strategy and the lastest rectifications to the EU Treaty and other EU Directives. Tais medidas, pretendem fomentar a participação cívica e a aquisição de competências para a participação, sendo que perante esta necessidade de implementação parece construir-se um instrumento muito apropriado a esses objetivos (Rodrigues, Carvalhal & Alarcão, 2008).
Assim, ao nível da sua implementação a metodologia photovoice desenvolve-se ao longo de três fases: a fase de preparação, a fase de ação e por fim, a fase de finalização.
A primeira fase, designada de preparação deve centrar-se na conceptualização do problema e posteriormente na definição dos objetivos que pretendemos alcançar com a intervenção. É importante recrutar o público-alvo para a audiência dos resultados photovoice, sendo que também não podemos descurar a formação dos profissionais, sendo fulcral que estes assumam um papel de “facilitadores” da mudança (Rodrigues, 2011).
A segunda fase, designada por fase da ação deve desenrolar-se em várias sessões de grupo, constituído por 8 a 12 elementos, para que todos tenham oportunidade de se expressar. Nestes grupos devem estar presentes os participantes e os facilitadores, pretendendo-se que os participantes reflitam sobre variados temas pertinentes da sua comunidade através da captação de imagens que respondem a perguntas que vão sendo lançadas ao longo das sessões. Durante as sessões os participantes procedem à apresentação individual das suas fotografias, referenciando como estas estão relacionadas com o tema da sessão. Por fim, segue-se a análise em profundidade das fotografias, estendendo a discussão de um nível pessoal para um nível social (Rodrigues, 2011).
A terceira e última fase, caracterizada como a fase da finalização, é o espaço onde se procede à documentação das histórias/narrativas, onde se seguida divulgam os resultados junto da “audiência”.
A metodologia photovoice revela múltiplas potencialidades uma vez que apresenta elevada flexibilidade, podendo ser adaptada a variados contextos de intervenção e respondendo a diferentes objetivos, acrescenta o elemento visual aos processos participativos tradicionais de recolha e análise de informação, sendo que estimula e promove o envolvimento das populações (Rodrigues, 2011).
Como tal, podemos concluir que a presente metodologia revela grande impacto na intervenção com populações muito desfavorecidas/marginalizadas, nomeadamente famílias de etnia cigana, onde se pretende desenvolver a consciência crítica, impulsionando visões alternativas sobre os problemas que afetam a comunidade (Rodrigues, Carvalhal & Alarcão, 2008).

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