Intervenção
com famílias multiproblemáticas através da metodologia Photovoice
A metodologia
Photovoice surge em 1994 com os trabalhos realizados de Carolina Wang
(Universidade de Michigan) e Mary Ann Burris (Universidade de Londres), no
âmbito de estudos na área da promoção e educação para a saúde. Nesta
metodologia está inerente um método participativo que utiliza a fotografia e a
voz como um meio para aceder ao “mundo dos outros” (Wang, 1999, cit. por
Carvalhais, 2010, p.36).
Como tal, esta
metodologia poderá ser utilizada em diversos contextos, contudo podemos
distingui-la por ser um método de intervenção social muito atrativo. Este emprega
a fotografia e a voz como um instrumento de empowerment, uma vez que promove a
participação e o exercício da cidadania, ainda mais se for utilizado com
populações em contextos mais desfavorecidos.
A utilização desta
metodologia revela como objetivo principal a reflexão dos indivíduos, através
das suas próprias experiências, quer sejam elas familiares ou comunitárias,
importa é que se promova o diálogo crítico e o conhecimento de aspetos
importantes das suas vidas (Photovoice, 2009).
Enquanto metodologia,
no âmbito da intervenção com famílias multiproblemáticas, enquadra-se em Lisbon
Strategy and the lastest rectifications to the EU Treaty and other EU
Directives. Tais medidas, pretendem fomentar a participação cívica e a
aquisição de competências para a participação, sendo que perante esta
necessidade de implementação parece construir-se um instrumento muito
apropriado a esses objetivos (Rodrigues, Carvalhal & Alarcão, 2008).
Assim, ao nível da sua
implementação a metodologia photovoice desenvolve-se ao longo de três fases: a
fase de preparação, a fase de ação e por fim, a fase de finalização.
A primeira fase, designada
de preparação deve centrar-se na conceptualização do problema e posteriormente na
definição dos objetivos que pretendemos alcançar com a intervenção. É
importante recrutar o público-alvo para a audiência dos resultados photovoice,
sendo que também não podemos descurar a formação dos profissionais, sendo
fulcral que estes assumam um papel de “facilitadores” da mudança (Rodrigues, 2011).
A segunda fase, designada
por fase da ação deve desenrolar-se em várias sessões de grupo, constituído por
8 a 12 elementos, para que todos tenham oportunidade de se expressar. Nestes
grupos devem estar presentes os participantes e os facilitadores, pretendendo-se
que os participantes reflitam sobre variados temas pertinentes da sua
comunidade através da captação de imagens que respondem a perguntas que vão
sendo lançadas ao longo das sessões. Durante as sessões os participantes
procedem à apresentação individual das suas fotografias, referenciando como
estas estão relacionadas com o tema da sessão. Por fim, segue-se a análise em
profundidade das fotografias, estendendo a discussão de um nível pessoal para
um nível social (Rodrigues, 2011).
A terceira e última
fase, caracterizada como a fase da finalização, é o espaço onde se procede à
documentação das histórias/narrativas, onde se seguida divulgam os resultados
junto da “audiência”.
A metodologia
photovoice revela múltiplas potencialidades uma vez que apresenta elevada
flexibilidade, podendo ser adaptada a variados contextos de intervenção e
respondendo a diferentes objetivos, acrescenta o elemento visual aos processos
participativos tradicionais de recolha e análise de informação, sendo que
estimula e promove o envolvimento das populações (Rodrigues, 2011).
Como tal, podemos
concluir que a presente metodologia revela grande impacto na intervenção com
populações muito desfavorecidas/marginalizadas, nomeadamente famílias de etnia
cigana, onde se pretende desenvolver a consciência crítica, impulsionando
visões alternativas sobre os problemas que afetam a comunidade (Rodrigues,
Carvalhal & Alarcão, 2008).
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