Este blog tem como principal objectivo apresentação de variádos conteúdos sobre o tema a Educação Social em Portugal.

sábado, 24 de setembro de 2011

Banco Alimentar - Quem realmente necessita

Chamo-me Neuza Pimenta, sou Educadora Social e vejo a iniciativa do Banco Alimentar fundamental para muitas famílias carenciadas, principalmente em tempos de crise, como o que estamos a passar. Como pessoa acho essencial contribuir para esta iniciativa pois muitas famílias dependem deste apoio para sobreviverem. No entanto, estou indignada ao perceber que muitas pessoas que estão a usufruir deste apoio, não dependem dele para uma questão de sobrevivência, muitas pessoas vão buscar alimentos sem que realmente necessitem, sendo que a fatia que vai para os mais pobres é pequena...não sei que critérios são utilizados para seleccionar os utentes deste serviço, no entanto, os que neste momento estão ser usados não estão a ser eficazes.
E a questão não se centra apenas nas pessoas que indevidamente estão a utilizar este serviço, o problema é a falta de credibilidade do mesmo. Sei de pessoas/famílias que vão deixar de contribuir para o mesmo por tomarem conhecimento destes abusos.
Com este comentário não quero criticar quem quer que seja, mas sim alertar para uma situação injusta e amoral. Como profissional, sei que existe sempre forma de contornar a situação com falsos documentos, no entanto, numa altura destas é necessário conhecer-se bem as situações e famílias, trabalhar-se em rede, tornando o apoio mais personalizado e não tão generalizado.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O estado da Educação de Adultos em Portugal

A Educação de Adultos deve dar sentido à vida, pois ela abrange todo um conjunto de processos de aprendizagem, através dos quais os adultos desenvolvem as sua capacidades, enriquecem conhecimentos, aperfeiçoam qualificações técnicas e profissionais, satisfazendo assim, as suas próprias necessidades e as da sociedade actual.

Assim, no século XXI a Educação de Adultos, cada vez mais deverá assumir-se como uma educação permanente, uma educação ao longo da vida. Cada indivíduo desempenha o seu papel como cidadão activo e participativo na vida produtiva, cultural e política de uma sociedade, tendo sempre em vista a construção de um mundo cada vez mais democrático e solidário, no qual o direito À diferença e à igualdade de oportunidades seja uma realidade visível.

É fundamental que existam cada vez mais iniciativas centradas na educação e formação ao longo da vida, pois estas potenciam a qualificação da população adulta, por via da valorização das competências adquiridas ao longo da vida, em diferentes contextos, no sentido de aumentar a competitividade do tecido empresarial, tão importante para a estabilidade económica do país, face aos desafios provocados pela globalização da economia mundial e inovação tecnológica.

Neste momento Portugal enfrenta um grande desafio, que consiste um elevar as qualificações ao nível educativo da sua população adulta, sendo que para tal foi necessário criar respostas para atingir esse objectivo.

Para tal, o Ministério da Educação e o Ministério do Trabalho e da Solidariedade, desenvolveram a iniciativa Novas Oportunidades.

Esta iniciativa assenta em dois pilares, a elevação da formação base de jovens, nomeadamente pela diversidade das ofertas de educação e formação, através do reforço das vias profissionalizantes, a elevação da formação base da população activa adulta, a partir das competências adquiridas e reconhecidas.

Assim, foram expandidos a Rede de Centros de Reconhecimento Certificação e Validação de Competências, pretende-se promover a melhoria dos níveis de certificação escolar dos adultos maiores de 18 anos, que não possuam o nível básico ou secundário, numa perspectiva de aprendizagem ao longo da vida.

Esta iniciativa contempla os Cursos do Ensino Recorrente, que permitem conciliar os estudos com uma actividade profissional, sendo que, funcionam como módulos capitalizáveis, destinando-se a pessoas que pretendam obter o nível de formação secundário.

Os cursos de Educação e Formação de Adultos, como o nome indica, envolvem a educação e formação para públicos adultos com idade igual ou superior a 18 anos. Dirigem-se a pessoas que queiram obter o nível básico ou secundário.

As Universidades Seniores são uma iniciativa progressista e atende fundamentalmente pessoas de mais idade, assegurando o pressuposto que a vida não pára, nem termina com a idade.

Para além destas iniciativas, existe ainda o acesso à universidade para pessoas com mais de 23 anos, tendo em conta a experiência profissional do candidato. Sendo que, esta iniciativa tem como objectivo a promoção para a igualdade de oportunidades no acesso ao ensino superior, atraindo assim novos públicos, numa lógica de aprendizagem ao longo da vida.

Assim, a lógica de educação permanente acentua a importância, não só, da educação escolar, mas também da educação de adultos, a qual deve prolongar-se ao longo da vida abarcando todos os domínios do saber e conhecimento, utilizando todos os meios possíveis, possibilitando aos indivíduos um desenvolvimento pleno da sua personalidade.

Em conclusão, podemos referir que a Educação de Adultos é designada como a totalidade dos processos organizados de educação, em que os adultos considerados pela sociedade fazem evoluir as suas atitudes e comportamentos numa dupla perspectiva, isto é, de um desenvolvimento integral do seu “eu” e de uma participação no desenvolvimento social, económico e cultural equilibrado.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Educador Social em contexto escolar


Um dos temas mais preocupantes no que toca à educação das nossas crianças, refere-se à questão da violência protagonizada pelos jovens nos recintos escolares. Os fenómenos de bulling são cada vez mais visíveis e preocupantes pois a violência utilizada nestes comportamentos é cada vez maior.

Como educadores é fundamental compreendermos tais fenómenos para que possamos actuar de forma assertiva em cada situação, prevenindo e extinguido casos já sinalizados.

Tendo em consideração que o Educador Social é um profissional que pode intervir na prevenção e resolução de problemas como a violência no meio escolar, como profissionais da “condição humana”, podem actuar de diferentes formas, tal como na família, crianças e jovens em risco, focos de violência, nomeadamente na escola tendo um papel activo de mediador.

No âmbito da intervenção escolar o educador social pode adquirir um papel informal, não formal ou formal, apesar da educação formal estar a cargo dos docentes e não dos educadores sociais, no entanto, o educador social pode assumir um papel na educação preventiva, fomentando actividades e situações onde possa implementar campanhas de sensibilização contra condutas inadequadas. Pode ainda intervir de forma individualizada, ou seja, trabalhar de forma individual quer com os alunos, quer com a família dos mesmos.

O campo de acção do educador social são "os sectores sociais em desequilíbrio (…) além de solucionar determinados problemas próprios da inadaptação, tem duas funções não menos importantes: a primeira, desenvolver e promover a qualidade de vida de todos os cidadãos; a segunda, adoptar e aplicar estratégias de prevenção das causas dos desequilíbrios sociais. Noutras palavras, apesar das relações entre educação social e marginalização serem evidentes, com a marginalização não se esgota o âmbito da educação social". (Petrus, 1997, p.27).

De facto, a tarefa do educador é prevenir e intervir em situações de desvio ou risco em qualquer franja mais debilitada da sociedade, de forma a criar mudanças qualitativas. Deverá exercer intencionalmente influências positivas nos indivíduos. A educação social actua concomitantemente com outros profissionais de modo interdisciplinar na protecção e promoção sociais.

Como tal é importante reflectir sobre a importância do profissional de educação social, intervir junto dos jovens em ambiente escolar.


Neuza Pimenta

Técnica Superior de Educação Social

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O triste Mundo da "CUNHAS"

Um tema bastante actual na nossa sociedade e que cada vez está mais em voga são as “cunhas”, em todo o lado ouvimos falar delas, no café na televisão na rua, em toda a parte, esta está totalmente enraizada na cultura deste pequeno país à beira amar. Está em todo lado, quer seja nos serviços públicos, quer privados, tem apenas um objectivo, que é favorecer ou tomar partido de alguém conhecido, como por exemplo favorecer no emprego numa subida de escalão, aqui vale tudo!

Quando é que cada um de nós não soube, por experiência própria, ou por outrém, que num determinado concurso público o lugar estava «para alguém?». Conformados, replicámos: é a "cunha", é o "factor c"...».
E a maioria de nós, portugueses, aceitamos este processo como algo absolutamente natural e comum

A conhecida “cunha” é uma forma de passar por cima de uma pessoas sem se ir a julgamento por atropelamento ou homicídio por negligência, sendo que esta fomenta a incompetência.

Das ditas cunhas, resulta um grupo de pessoas capazes, inteligentes e capacitados no desemprego, porque não conseguem competir de forma justa na busca de um trabalho, porque já se sabe quem irá ocupar aquele posto de trabalho!

Assim, não temos hipótese de demonstrar o que valemos e o quanto podemos ser importantes na produção de riqueza e na promoção da justiça social…

Enfim, não podemos fazer nada, se não tem cunha, paciência…..é o mesmo que ter um atestado de incompetência…infelizmente este é o nosso país.



Neuza Pimenta, Técnica Superior de Educação Social

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Pertinência do Educador Social

Considerando o cenário sócio-económico vivido no nosso país, perante toda a vulnerabilidade social, o desprendimento pelas questões sociais são cada vez mais visíveis, quer seja pelo agravamento da pobreza, a fragilidade da velhice, desemprego, o emprego precário, entre outras problemáticas que levam a processos graves de exclusão social.

Perante tal situação, importa perceber a pertinência do profissional de Educação Social, pois este surge numa perspectiva de inclusão/participação de todos os que se encontram numa situação desfavorecida na sociedade.

Assim, o Educador Social é um profissional multifacetado, pois pode intervir nas diversas faixas etárias e problemáticas, pois integrando equipas multidisciplinares, pode integrar projectos em diversos contextos como económico, social, cultural e educativo.

Podendo assim, integrar equipas multidisciplinares, como por exemplo, em Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, IPSS, Centros Comunitários, Associações, entre outras.

Como tal, é essencial consciencializar toda a população para a importância deste técnico, que em conjunto com outros profissionais pode desempenhar um papel bastante relevante na sociedade.


Neuza Pimenta

Técnica de Educação Social


quinta-feira, 19 de maio de 2011

Mediação Sócio-Cultural

A medição, técnica ao serviço de uma estratégia de integração e coesão social, implica uma sistematização dos modelos sociais e metodológicos de aplicação exigentes.

Podemos admitir que a medição surge como um instrumento facilitador da integração social, que tem como principal objectivo “fazer a ponte”, entre as diferentes comunidades. Assim, podemos assumir que a mediação é a antítese de exclusão.

A medição iniciou-se à cerca de 20 anos, inicialmente nos EUA e depois em variados países da Europa, chegando a Portugal sensivelmente na década de 90, com a entrada na Comunidade Europeia.

A medição sócio-cultural actualmente é considerada fundamental na promoção do desenvolvimento social dos mais variados países, essencialmente os que verificam grandes diversidades sócio-culturais (países com elevadas taxas de emigração), apresentado a sua principal função o diálogo intercultural.

A mediação pode ser vista como uma negociação, cujo tal facto, necessita de uma terceira pessoa com o papel de mediador, que deve permanecer neutro e facultar a procura de soluções, tornando os conflitos positivos, de forma a chegar a um acordo benéfico para as variadas partes envolvidas.

De um modo geral, a mediação foi definida como “um meio de procura de acordo em que as pessoas envolvidas são ajudadas por um especialista que orienta o processo” (Sousa, 2002, p 19). Esta procura de acordo, retomando a ideia inicial de mediação, consiste num processo de negociação directa ou indirecta entre as partes envolvidas.

Perante o exposto podemos concluir que o raio de acção da mediação é amplo, uma vez que se pode estender a várias áreas de interesse, nomeadamente, mediação social, cultural, ambiental, civil, comercial, de seguros, comunitária, desportiva, familiar, laboral, penal, política, entre outras.

Segundo vários autores (Sousa, 2002; Mourineau, 1997) a mediação entendida como método de resolução de conflitos, obedece a vários princípios, fundamentais para que a sua operacionalização se concretize com sucesso. Esses princípios resumem-se a três:

• a imparcialidade ou neutralidade - considerando que a pessoa do mediador não deve representar nenhuma das partes, nem deve interferir no sentido de impor soluções;

• a confidencialidade - assegurando às partes envolvidas sigilo e conferindo confiança para que se possa de forma aberta expor os problemas;

• a voluntariedade - ambas as partes devem participar de livre vontade no processo de mediação/resolução do conflito.

Para compreendermos a medição sócio-cultural devemos conhecer detalhadamente a realidade social onde vivemos.

Com o fenómeno da globalização verificam-se grandes vagas de imigração de uns países para os outros. Este fenómeno contribui para a recomposição do tecido sócio-cultural dos vários países, que a tendência é tornarem-se cada vez mais multiculturais, onde se verificam diferentes códigos culturais, que promovem variados motivos, para o desencadear de conflitos sociais.

É neste contexto que a mediação pode aparecer como uma estratégia abrangente no reforço do diálogo intercultural e coesão social.

Assim, destacamos a mediação intercultural, a mediação comunitária e a mediação social propriamente dita. Chama-se a atenção para o facto de alguns autores utilizarem as noções de mediação social e de mediação comunitária indiferentemente.

A mediação intercultural, segundo Philippe Pierre e Nicolas Delange (2004), na sua acepção pedagógica, permite-nos conceber novos percursos, integrando paradigmas abertos sobre o Outro e a Diferença. Já as práticas de mediação social visam sobretudo reconstruir os laços sociais, ao passo que as práticas de mediação comunitária visam sobretudo a regulação e a integração social, que se reportam ao modo de gestão de conflitos pelas comunidades e pelos seus membros, de modo a que estes, juntos, possam conseguir viver melhor em conjunto.

Assim, o objectivo principal da mediação social será a integração social dos indivíduos em situação de exclusão social, ou seja, reinserção dos indivíduos na sociedade, procurando construir um caminho que una os indivíduos marginalizados e a sociedade onde estes, se inserem, de modo a que, se passa dar a socialização.


Para mais informações poderá consultar: "Mediação Sócio-cultural: Um puzzle em construção" / Observatório da Emigração.