Nesta sequência de acontecimentos surge o educador social no mundo atual, como resposta às crescentes necessidades da intervenção em sociedade na resolução dos problemas sociais e humanos. Neste seguimento, o educador social estabelece-se intervindo com várias faixas etárias e nos mais diferentes contextos sociais, culturais, educativos e económicos.
Verifica-se assim, uma grande dificuldade ao tentarmos definir o perfil do educador social, pois este é um “profissional da educação e do trabalho social”, atuando em diversos campos, embora “demonstrando sempre uma intencionalidade educativa” na sua atuação, orientada numa perspetiva “transformadora” (Veiga & Correia, 2011, p.73)
O educador social está, permanentemente atento às diversas problemáticas da sociedade, promovendo projetos de construção da identidade pessoal, assentes em estratégias relacionais refletidas e operacionalizadas pela pedagogia social. (Carvalho & Batista, 2004).
No que concerne à problemática dos comportamentos de natureza agressiva o técnico de educação social, pode desempenhar um papel preponderante nesta área. De facto, todos nós sabemos que a agressividade em crianças não é uma problemática recente, esta sempre existiu, contudo não se resume a um problemas das famílias ou das escolas, deve ser vista como um problema de toda a sociedade, de forma a poder-se desenvolver uma intervenção ampla e global.
A escola é o local onde a criança passa a maioria do seu tempo, sendo que é na escola que muitas vezes são verificados comportamentos agressivos. Como tal, a escola e todos os que dela fazem parte, desde professores, educadores, psicólogos, técnicos sociais, nomeadamente o educador social, entre outros, têm um papel muito importante no que respeita ao controle, extinção e até prevenção de comportamentos agressivos.
Numa primeira etapa, é essencial que todos os técnicos/profissionais que intervenham direta ou indiretamente em situações de condutas agressivas tenham conhecimentos teóricos para que possam compreender a origem do fenómeno, fatores que propiciam tal comportamento, assim como todos os aspetos inerentes a esta problemática.
Assim, a escola em conjunto com todos os seus profissionais, deve focar a sua intervenção numa primeira fase para a prevenção, desenvolvendo práticas que estimulem a igualdade entre os pares, justiça e reciprocidade. Todo este processo deve assentar numa perspetiva de educação cívica, ou seja, promovendo o desenvolvimento da consciência social, como a empatia, capacidade de escuta e de comunicação, gestão eficaz dos conflitos interpessoais, colaboração e a gestão emocional, que no meu entender é um fator essencial para o controlo de comportamentos de conduta como a agressividade.
Todas as competências acima mencionadas aliadas a orientações curriculares e estratégias desenvolvidas, atendendo à diversidade e pluralidade individual, podem ser responsáveis pelo sucesso educativo de todos os alunos.
Como forma de implementar todos os aspetos a desenvolver podemos recorrer ao auxílio de dinâmicas ajustadas a cada objetivo, trabalhos desenvolvidos em grupos, utilizando por exemplo dilemas éticos e promoção de atividades lúdicas e artísticas.
Nesta situação, penso que a intervenção deverá centrar-se na perspetiva do agressor, ou seja da criança que manifesta um comportamento agressivo. No entanto, a escola não deve ser considerada aspeto único quando intervimos nesta problemática, sendo que é fundamental perceber e intervir no contexto familiar (Ramírez, 2001).
Como podemos verificar com o explanado ao longo do trabalho, quando a família não desempenha o seu papel de agente socializador, os comportamentos adequados por parte das crianças poderão estar comprometidos. Assim neste ponto, o educador social, poderá em conjunto com outros técnicos desenvolver programas de educação parental, onde irá focar a sua intervenção em aspetos como as relações entre os vários elementos do agregado e práticas educativas corretas e adequadas à idade e características da criança em causa, permitindo que seja possível a extinção/inibição de comportamentos desajustados no futuro.
